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5 dicas para “blindar” sua composteira

Infestações e ataques de roedores, insetos, aracnídeos e outros bichinhos na composteira não são exagero… acontecem sim!

Um dia desses minha esposa viu um gongolo subindo uma parede da nossa humilde residência e insinuou que causei um desequilíbrio ecológico com a compostagem lá em casa. Também não é assim né, mulher? rsrs

Aliás, o meme desse post é de autoria da minha digníssima… pra vocês verem o que passa na cabeça dela quando o assunto é compostagem.

Pois vamos ao que interessa… dá pra evitar esses bichinhos e deixar mesmo blindada a composteira?

Como o processo de compostagem envolve a degradação de restos de alimentos, é natural que os seres responsáveis por esse nível da cadeia alimentar apareçam! É o trabalho deles e isso é parte de toda a vida que envolve o processo da compostagem.

Isso é o natural, mas algumas intervenções nossas são capazes de evitar infestações e ataques de certos agentes indesejáveis, buscando assim anular ou minimizar condições insalubres.

Nesse sentido, podemos adotar cinco medidas simples que vão certamente fazer a diferença:

1. Composteira “corpo fechado”

Só o fato de optar pela compostagem na composteira já contribui para o controle das condições que possam atrair bichinhos. É muito mais fácil para os ratos e as baratas entrarem numa pilha de compostagem direto no chão do que numa composteira. Porque ela fica, via de regra, FECHADA.

O bom é só abrir a tampa para adicionar os resíduos. E, em casos de exceção, tipo quando está muito calor, tudo bem… pode abrir mas fica de olho, não deixe ela virar a noite aberta!

2. Firewall ativado

Um fator essencial para a compostagem aeróbica é a oxigenação do sistema. Mas para que fique bem arejado, não deve ser necessário deixar a composteira aberta. A medida mais segura é aumentar a quantidade e/ou o diâmetro dos furos na parte superior das caixas ou baldes.

Porém, muito importante… para evitar que mosquitinhos minúsculos entrem por esses furinhos ou depositem seus ovos ali, é recomendável uma proteção. Basta fixar por fora uma faixa estreita de tecido.

Essa é uma dica do Mateus Lima, analista de sistemas e composteiro de Belém-PA (@compostagem_na_real), que chama de “firewall” essa tirinha de tecido.

No Instagram do Mateus tem uma série de vídeos instrutivos e, inclusive, uma série de 3 vídeos com recomendações para evitar a infestação de larvas. A tirinha em tecido pode ser em TNT (tecido não tecido) ou outro qualquer com uma trama bem fina e, opcionalmente, que combine com a cor da sua composteira pra deixá-la sempre uma belezura!

3. Inspeção de entrada

Pode parecer um tanto CSI essa dica, mas é realmente válido fazer uma inspeção visual sobre os resíduos antes de levá-los à composteira. Uma remexida cuidadosa e um olhadela atenciosa na sua fonte de material seco pode revelar pequenos insetos, aranhas, ácaros, lagartas e ovos de baratas.

Aranha-marrom sobre o capim seco, representa risco de ataque na coleta desse material para a composteira (foto: depositphotos)

A dica também vale para os resíduos que vão do baldinho de pia para a composteira… Pois pode acontecer de se desenvolverem ali dentro as larvas saídas da oviposição de moscas sobre as cascas de frutas e verduras expostas antes de irem para o baldinho.

Vale lembrar, portanto, que é muito importante deixar esse baldinho de pia bem fechado. Além também de não deixar os resíduos nele por muito tempo, senão a decomposição inicia e aquele meio fica úmido, ácido e aquecido, tornando o baldinho um chamariz perfeito para as moscas.

Resíduos orgânicos em recipientes abertos ficam expostos às moscas
(foto: CulturaMix)

Ah e também é válida uma inspeção que está mais para de saída do que de entrada… É importante verificar periodicamente se não há minhocas caindo no balde ou caixa coletora de biofertilizante. Principalmente se sua composteira do tipo minhocário não tiver aquela tela ou peneira “salva vidas”. Minhocas podem cair no líquido e se afogarem por lá… depois de um tempo poderá surgir um cheirinho de carniça que vai lhe incomodar e fazer a alegria das mais chatas moscas.

4. Input seletivo

Aqui me refiro ao cuidado com o que vai entrar na composteira. Pedaços de carne, laticínios e punhados de alho e cebola acabam putrefando e alterando a acidez do meio, o que prejudica as minhocas e também libera odores que para nós são bem desagradáveis, porém bastante atraentes para os insetos e também para ratos. Essa é uma recomendação que vale também para o caso de composteiras termofílicas (sem minhocas), especialmente as que fiquem dentro de casa.

Outro cuidado importante é não destinar à composteira plantas doentes ou infestadas de insetos. Isto se aplica para quando fazemos aquela “limpa” na hortinha ou jardim e a primeira coisa que pensamos é compostar todas as folhas velhas e doentes. Então, nada de compostar aquela couve cheia de pulgão ou aqueles grãos velhos cheios de caruncho, por exemplo.

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Folha de cítrico com sinais de praga mineradora e pulgão – Hemiptera. (Foto: Flickr)

Mais alguma coisa? Sim… as formigas! Elas podem ser atraídas por sobras de pão e outros restos doces, que geralmente não vão pra composteira… mas sei lá né rsrs

5. Cobertura seca

Por último, a dica mais popular e efetiva… Cobrir bem os resíduos assim que depositá-los na composteira. Com isso se consegue garantir a entrada da fonte de carbono no sistema e criar uma camada mínima de proteção sobre os resíduos para impedir que as moscas os alcancem para depositar seus ovos.

Cubra bem com o material seco que tiver… folhas, serragem, papelão, etc. E quão mais triturado, melhor (desde que não vire uma farinha de trigo de tao fino, claro rsrs). Pois, ao mesmo tempo que cobrir é importante, essa camada de cobertura não deve impedir a oxigenação do montinho de resíduos. Isso vale para a compostagem com ou sem minhocas.

Nesse quesito de cobertura, experimentei uma outra alternativa, que é incorporar ao sistema uma manta de Acrilon, que vai cobrir por completo a superfície do balde ou caixa digestora de cima, que recebe os resíduos. Essa manta vai ser circular, se a composteira for de baldes ou retangular, se for de caixas.

Como o Acrilon é aerado, nao vai permitir a oxigenação e vai impedir as moscas de chegarem aos resíduos. Ele passa a fazer parte do sistema e a cada entrada de resíduos você o levanta por uma beirada, alimenta a composteira e finaliza cobrindo novamente. Mas ele não vai substituir a matéria seca, hein… é um plus e me parece que as minhocas até gostam dessa manta sintética, talvez por reter uma certa umidade…

Explico a essa dica em um vídeo do nosso canal no YouTube. Está fraquinho ainda, mas seria muito gentil de sua parte nos prestigiar por la com sua visita e manda ver nos likes, inscrever-se e compartilhar a vontade.

Saudações compostonauticas e sucesso na sua missão de ativar os escudos da sua compostonave!

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  1. Abrí a minha composteira/minhocário e encontrei uma barata! Não sei como ela foi parar lá já que a composteira é fechada. O que eu devo fazer agora? A barata pode se proliferar lá dentro? Devo retirar toda matéria orgânica de lá? Não sei o que fazer!!!

    • Flávia, peço desculpas pela demora da resposta. Aqui é o Ramonzito e agradeço seu contato. Vamos lá! Com o tempo que passou, não sei se permanecem suas dúvidas… mas as baratas, se são comuns no ambiente em que você mora, provavelmente voltarão a aparecer. O controle destes insetos no meio urbano deve ser feito com medidas sanitárias particulares e públicas, como a aplicação de veneno ou dedetização. A composteira pode atrai-las, mas tampá-la é uma medida eficaz, exceto quando o material depositado já apresentar ovos do inseto quando adicionados à composteira. E pode ser que lá dentro as condições sejam propícias ao seu desenvolvimento, já que no minhocário não alcançamos as altas temperaturas da compostagem termofílica (sem minhocas). A solução seria removê-la, sem a necessidade de descartar o material orgânico já sendo processado. Caso precise de um apoio mais próximo, pode entrar em contato direto comigo no Whatsapp http://wa.me/5522981588885

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